Black prepara Purificayê para Lavagem e pensa no futuro

Postagem original 23-01-2013 22h43m

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Black, ex Olodum, lidera o Purificayê desde a fundação em 2008

Banda percussiva tem quatro anos de atuação em Irará

Com muita empolgação e um largo sorriso no rosto Black recebe o Iraraense. Enquanto aperta o instrumento com uma chave de boca, conta a história do Purificayê e suas perspectivas.

Ele já anuncia o desfile da banda pelas ruas da cidade no dia da Lavagem, sexta, 25 de janeiro. “Será depois das cinco horas, quando terminar a Charanga e antes da novena começar”, comunica Black. Este será o quinto ano do Purificayê na Lavagem da cidade.

A banda percussiva, criada em novembro de 2008, se apresentou pela primeira vez durante o Dia da Consciência Negra daquele ano. De lá pra cá, o grupo tem participado de caminhadas, passeatas, eventos escolares, festas e datas comemorativas, como o 07 de Setembro e o próprio dia da Consciência Negra, além de outros eventos.

Vídeo: Purificayê no 07 de Setembro 2010

Fotos: Caminhada da Independência 2011

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Troféus

Dentre os eventos que contou com a participação do Purificayê está a Caminhada do Folclore em Feira de Santana. Desde sua fundação, a banda participa de todas as edições da Caminhada, contando com apoio da Prefeitura de Irará.

Black guarda as camisas das Caminhadas e as exibe como troféus. Ele também tem orgulho e satisfação em mostrar os “uniformes” do grupo, alguns deles, produzidos pelos próprios componentes.

Outro orgulho da banda são as músicas próprias. Ao todo já são oito. E o repertório do grupo mescla o trabalho autoral com sucessos de bandas percussivas como Timbalada e Olodum.

As canções do Purificayê geralmente transmitem mensagens da banda. A “Diga Não”, por exemplo, faz alerta contra as drogas. Já a “Digo Éaaa!” é uma saudação. E a “Impactar” aborda o “impacto dos instrumentos”.
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Social

Nestes quatro anos de estrada, em preparação para a sua quinta Lavagem, Black fica ainda mais orgulhoso quando menciona o funcionamento da banda pra além da hora das apresentações.

Ele diz fazer reuniões periódicas com os pais dos garotos participantes da banda. Conta que, para a participação no grupo, solicita do membro um bom desempenho escolar. E, além disto, relata trabalhar com a inclusão social no grupo.

Segundo Black, há dois anos o Purificayê vem incorporando pessoas com necessidades especiais à banda. Entre elas um jovem portador de paralisia e outro com síndrome de down.
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Dificuldades

Para manter o Purificayê em funcionamento, Black informa que sempre recorre à ajuda das pessoas e do comércio local através de rifas. Os recursos arrecadados, segundo o mesmo, seguem quase sempre para a manutenção dos instrumentos, principalmente para a troca de peles.

O Purificayê conta com membros de diversas localidades de Irará, como Caboronga, Saco Velho, Boca de Várzea e Lagoa. Com força máxima, o grupo toca com 48 instrumentos e faz barulho.

Nos ensaios há quem se incomode, diante da fúria do som dos tambores. Por conta disto, Black já foi convidado a dar explicações na promotoria local.

“Falei para o promotor da nossa proposta social e ele compreendeu”, conta Black. Da conversa na promotoria saíram definidos os dias e os horários de ensaios. Desde então o Purificayê ensaia às terças e quintas, das 17 às 18:30h, e aos domingos, das 15 às 16:30h.
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Acolhimento

Os ensaios do Purifcayê já fazem parte da rotina da vizinhança do Centro de Abastecimento de Irará. A banda está instalada de favor em um dos galpões em desuso do Centro desde 2008, quando foi fundada.

“Era ainda o governo de Juscelino [2005 – 2008], a banda Zimbabuê ensaiava aqui. Aí pedimos para também usar o espaço e foi liberado”, lembra o líder do grupo.

Durante toda a primeira gestão de Derivaldo Pinto [2009 – 2012], o grupo permaneceu no mesmo local. Agora, Black diz ter ouvido rumores de que o galpão será cedido para a instalação de uma fábrica e diz não saber para onde o Puricayê irá, caso a informação se concretize.

“Quero até aproveitar a oportunidade para, através desta matéria do site, pedir um acolhimento ao prefeito Derivaldo”, solicita Black. Ele informa que ainda não recebeu qualquer comunicado sobre a continuidade ou não da banda no galpão onde está instalado.
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“Eaaá!”

Enquanto a informação não chega, Black segue preparando e apresentando o seu som. E entre carteiras escolares estragadas, estantes velhas e sapatos, se despede cheio de esperanças no futuro.

Uma pequena caixa de som, com um pen-drive, tocava baixinho um funk. Depois o som do aparelho desapareceu diante da força percussiva de Black e um dos alunos em uma rápida demonstração no timbal. “Éaaa!”.

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