Jorge Alfredo fala das gravações realizadas em Irará para “Escutando Tom Zé”

Postagem original em 14/09/2012 09:15 – por: Roberto Martins

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Maior parte de documentário foi gravado durante a passagem do tropicalista pela cidade em 2009
O cineasta Jorge Alfredo publicou um texto no blog Caderno de Cinema, através do qual aborda as gravações e conceitos do seu documentário “Escutando Tom Zé”.

O filme, cujo cartaz de divulgação aparece na imagem ao lado, apresenta entrevista com o artista no seu apartamento em São Paulo e durante os dias da passagem de Tom Zé por Irará, para o show na Feira da Mandioca em 2009.

Na oportunidade, além de vir a Irará com toda a sua banda para aquele show inédito, Tom Zé encontrou grupos populares iraraenses. A Charanga e a Chegança da Comunidade da Loja recepcionaram o conterrâneo e ele também se encontrou com o samba-de-roda da Pisadinha do Pé Firme.

No seu texto, Jorge lembra ainda do encontro de Tom Zé com a Filarmônica 25 de Dezembro. O documentarista também recorda a ajuda recebida por parte do grupo de audiovisual iraraense, Roçawood. O pessoal do Roçawood atuou como assistente de produção durante as filmagens em Irará.

Vejam fotos e leiam texto de Jorge Alfredo na integra

Abaixo trechos do textp do cineasta:

Tenho uma grande admiração por Tom Zé; acompanho sua carreira desde os anos 60 e tenho todos os seus discos.

Eu e Pola Ribeiro, cineasta, atualmente no comando da TVE, a TV pública da Bahia, fomos até São Paulo bater um papo com Tom Zé, que estava com show marcado em Irará, sua terra natal e a emissora iria fazer uma cobertura especial do evento.

E logo percebeu que aquele equipamento não era de televisão. Mais; que nós fomos ao seu encontro querendo muito mais que uma simples chamada. Afinal, Tom Zé nunca se apresentara em Irará com banda completa, e tal; a única outra vez que cantou lá foi em 1991, num show de voz e violão.

Saímos de lá entusiasmados com o material gravado e combinado que nós o acompanharíamos na sua estadia em Irará no mês seguinte. E assim foi feito.

Conforme combinado, nos encontramos em Conceição – a 30 kms de Irará; Tom Zé trocou de van e veio com a gente rumo a Irará já gravando. A medida que nos aproximávamos de Irará, Tom Zé ia falando sobre o fato daquela região se situar numa zona de transição (“ali termina a bacia do Recôncavo e adiante é o sertão” como observa Nelson Araújo em Pequenos Mundos)

A recepção a Tom Zé foi calorosa por toda a Rua de Baixo até chegar a Praça da Purificação onde lhe aguardava aChegança da Loja, grupo de Marujada, folguedo popular que é um exemplo do intrigante fenômeno de saudade do mar. – “É uma dança dramática que acontece num navio, no mar, que vai procurar onde estão os infiéis para expulsá-los das terras cristãs. Imagine! Aqui não tem nem mar, como é que essa dança veio parar aqui? Veja como as coisas são curiosas! Nem mar, nem rio!” questiona Tom Zé, mas sem deixar de se entregar à dança com seus conterrâneos.

No outro dia, pela manhã, saímos pra fazer algumas tomadas da cidade e nos deparamos com o pessoal da Pisadinha do Pé Firme, autêntico samba de roda do recôncavo baiano. De tardezinha tivemos a primeira execução pública da música “Renato e Ceci” composta por Tom Zé para a Sociedade Litero-musical 25 de Dezembro, de Irará. E no show, Tom Zé cantou outra música inédita, composta especialmente pra aquele momento: Irará ira lá.

Foram quatro dias de intensa magia e muita produção. Em Irará contamos com a ajuda do Roçawood, que se juntou a nossa equipe e fez a assistência de produção. Com uma pequena ajuda dos amigos.

Escutando Tom Zé fala do processo criativo e da influência de Irará na música de Tom Zé. A sua verve oratória transborda e escorre pelo ralo. A lente apenas “escuta” e a montagem preserva, intactas, essas revelações

Escutando Tom Zé é um filme incomum, tanto no formato de produção quanto na proposta de montagem e talvez encontre certa dificuldade de aceitação e compreensão devido justamente a sua simplicidade, apesar do apuro tecnológico de captação de imagem e som.

Como reagirão as pessoas? Como reagirá Tom Zé ao se ver tão exposto na tela grande?

Mesmo que a sua fala, às vezes, não seja tão inteligível para muitos, acredito que será absorvida por outras formas de compreensão. O filme não procura explicar Tom Zé, mas simplesmente escutá-lo.

Imagem: Blog Cadernos de Cinema

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