Lara Scanferla fala de desigualdades sociais, cultura e apego a Irará

Postagem original em 01-03-2013 15h02m

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Rondonista disse ter se apegado a Irará

Impressões de rondonistas da FAMERP acerca do município também serão discutidas em palestra, na Faculdade em São José do Rio Preto – SP, na próxima terça, 05

Nesta sexta, 01, faz exatamente um mês que os estudantes universitários do Projeto Rondon deixaram Irará, após passarem 12 dias no município. Aqui eles realizaram oficinas com vistas a contribuir com o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes, na sede e na zona rural.

De volta aos seus locais de origem, os estudantes ainda avaliam e discutem a passagem deles no município. Na próxima terça, 05, o grupo de rondonistas da FAMERP – Faculdade de Medicina de São José de Rio Preto – estará falando de Irará e apresentando fotos da passagem deles por aqui, em uma palestra a ser ministrada pelo Cel. José Paulo da Cunha Vitório do Ministério da Defesa, lá na Faculdade.

No dia 01, de fevereiro, quando se preparava para deixar Irará, a representante da FAMERP, Lara Scanferla, recebeu o Portal Iraraense para falar sobre o funcionamento do Projeto Rondon e suas impressões e avaliações acerca do município.

Lara foi uma das duas pessoas que, ainda novembro de 2012, visitou Irará, após o Ministério da Defesa, órgão responsável pelo Rondon, ter se baseado em indicadores sociais para escolher o município como uma das bases do projeto em 2013.

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Desigualdades

Naquela oportunidade, Lara esteve em Irará acompanhada de Juliane, representante da UNIV – Universidade de União da Vitória, do Paraná. Elas vieram confirmar o aval da Prefeitura Municipal de Irará – PMI, oficializar a parceria PMI – Ministério e fazer o reconhecimento da cidade.

“Quando eu vim pela primeira vez, cheguei a pensar que o projeto era desnecessário aqui”, disse Lara.
A rondonista revelou que na visita de reconhecimento, quando esteve na sede do município, com pessoas “extremamente politizadas” e viu o “comércio funcionando”, não ficaram nítidas as desigualdades sociais de Irará.

Ela disse que a partir de 21 de janeiro de 2013, quando os rondonistas chegaram para a execução do projeto, foi que eles foram para as comunidades rurais e encontraram o “Brasil real”.

“Gente que não tem banheiro, casa de tábua, pessoas que precisam buscar água a alguns quilometro de distância”, foram algumas das dificuldades percebidas por Lara. Para ela, as situações sociais das comunidades de Tapera Melão, Baixinha e Espinho foi as que mais tocaram os rondonistas.

“Eu fiquei pasma quando vi a fila do recebimento do Bolsa Família”, disse Lara, comentando acerca dos índices sociais de Irará e da quantidade de pessoas em vulnerabilidade social.

 Leia também: Faculdade leva estudantes para a Bahia em projeto social  

Oficinas

Assim como Lara e Juliane, os outros rondonistas que vieram a Irará eram oriundos da FAMERP e da UNIV. Cada uma destas instituições de ensino mandou dez representantes. Junto com o oficial do Exército, que acompanhava a comitiva, eles completavam a caravana de 21 pessoas.

Todos eles ficaram alojados na Escola São Judas Tadeu. Além de fornecer o local para alojamento, a Prefeitura de Irará disponibilizou alimentação e transporte aos rondonistas para as localidades rurais, conforme previsto no convênio com o Ministério da Defesa.

No centro e nas comunidades rurais, os rondonistas realizaram diversas oficinas temáticas. As oficinas aconteceram de 21 de janeiro a 01 de fevereiro de 2013, período em que os rondonistas estiveram em Irará, a exceção dos quatro dias dos Festejos Populares da cidade. Estes encontros com a comunidade eram realizados nos turnos, matutino, vespertino e noturno.

De acordo com Lara, a oficina que teve maior público foi a de “Primeiros Socorros”, realizada no Colégio São Judas, com 159 participantes. Entretanto, teve oficinas que deixaram os rondonistas “catando mosca”. Lara conta que nos dois dias de chuva, não apareceu “uma alma viva”.

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Zona Rural

Na zona rural, as oficinas tiveram públicos variados, mas “nunca menos de 20 pessoas”, segundo afirmou Lara. Naquele ambiente, os rondonistas acharam que era mais positivo fazer uma roda de conversa e abordar os temas, do que trabalhar com materiais como cartazes e pôsteres.

Para a rondonista, a divulgação boca a boca na zona rural e o apoio dos Agentes Comunitários de Saúde contou muito para a presença das pessoas na oficina. Um caso especial relatado por ela foi o de uma Agente de Saúde de pré-nome Fátima.

Lara conta que a agente, independente de prefeitura, procurou os rondonistas e os levou para fazer oficina numa comunidade. A própria comunidade providenciou transporte e alimentação.

O fato aconteceu nos dias dos Festejos, quando o grupo não tinha oficinas na agenda. Lara percebeu que a comunidade atendida tinha grande concentração de evangélicos, pessoas que, fatalmente, não estavam preocupadas com os festejos.

Ouça áudio de programa radiofônico: Moradores do município de Irará na Bahia aprendem a criar mini-estação de tratamento de dejetos 

Festejos

A integração dos rondonistas com a comunidade iraraense também ficou nítida nos dias dos Festejos Populares de Irará. Toda a população percebeu e, quem não sabia, estranhou, o ir e vir “daquele povo de camisa amarela”.

Lara contou que de inicio, saber dos Festejos foi ruim, porque deu uma “quebrada” na estrutura de trabalho que eles tinham programado. Foi necessário readequar horários e tempo das oficinas. No entanto, no balanço final, ela considerou positivo. “A festa serviu para dá uma descansada, uma descontraída e pra gente foi uma riqueza cultural muito grande”, afirmou.

Ela falou dos festejos religiosos, que lá no sul eles não vêem “acontecer desta maneira”. Disse ter gostado do samba-de-roda e da miscigenação entre religiões afro e católica. “Coisas da Bahia né?”, brincou. Afirmou que “foi muito legal”, que eles se divertiram muito e não ter conhecido um Terreiro de Candomblé.

Lara também comentou a participação dos “meninos do Rondon” no Bloco das Nigrinhas, fantasiados com as roupas das meninas. Disse que o convite partiu de “Seu Madruga” (Bonfim porteiro do São Judas) e eles aceitaram, como forma de agradecimento ao tratamento recebido e com uma maneira de também se inserir na cultural local.

Segundo a estudante, outro ponto positivo foi que os rondonistas conseguiram se divertir bastante nos festejos sem consumir qualquer tipo de bebida alcoólica, seguindo as regras do Projeto que não permite o consumo de alcool.

Leia também: PROJETO RONDON: Rondonistas conhecem de perto os Festejos Populares de Irará 

Vínculo

Além dos traços culturais do iraraense, Lara disse ter gostado também da receptividade e hospitalidade do povo. Ela se emocionou quando se lembrou de uma ação de crianças da comunidade do Espinho.

“Eram uns 40 moleques de três a oito anos. Eles pegaram oito buques, feitos com flores encontradas nas redondezas, fecharam os olhos da gente e deram as flores. Era o melhor que eles podiam dá pra gente”, contou Lara, revelando que até pessoas adultas ofereceram presentes aos rondonistas.

Lara também se emocionou quando falou que estava sendo “extremamente doloroso” deixar Irará, diante dos vínculos criados com a cidade naqueles 12 dias. Disse que o Rondom não é uma espécie de “turismo social” e sim um programa que transforma a mente do universitário ao colocá-lo diante da realidade brasileira de populações carentes.

“Quando você chegar na sua cidade e seus amigos começarem a falar de futilidades na roda de conversas, você retorna o seu pensamento em tudo que você construiu dentro de você”, afirmou Lara, ao comentar sobre o despertar da consciência social que o Rondon proporciona aos universitários.

Leia também: Encerramento das Atividades em Irará (BA) 

Contato

Este foi primeiro Rondon da FAMERP, após o advento da proliferação das tecnologias de comunicação e das redes sociais na internet. Lara acredita que isto vai favorecer muito para que o vínculo entre eles e os iraraenses não se quebre.

Ela conta que já tem muitos amigos de Irará no Facebook e que nas comunidades rurais houveram pessoas pedindo o número de telefone deles. Além da amizade e dos ganhos dos universitários, a rondonista também avalia que fica algo de bom pra a população.

“Demos um curso de humanização que foi muito legal. Foram esclarecidos direitos dos trabalhadores, da população como usuários do SUS, entre outras informações. São conceitos que as pessoas sozinhas vão desenvolvendo com o tempo”, afirmou.

Lara terminou a conversa com o Iraraense prometendo não perder contato e voltar a Irará. “A gente vai voltar, eu acho, mesmo fora do projeto. A gente se apegou. A relação não acaba aqui”, afirmou a estudante. O sorriso no rosto, denunciava a expressão de alguém que em apenas uma dúzia de dias parece ter se tornado iraraense de coração.

Veja algumas fotos no Flicker

Minuto Universitario Uniuv Projeto Rondon 2013 – Alunos da UNIV falam sobre o Rondon em Irará em vídeo

Rondonista em Coração de Maria ajuda mulher em trabalho de parto, conduzida a Hospital de Irará

Acesse o Blog da UNIV sobre o Rondon
Foto: Facebook de Lara Scanferla

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