Músico alemão registra Samba da Charanga de Irará para tese de pós-graduação

Postagem original em 04-11-2013 21h12m

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Nielton (e) junto com Janco e Anderson

Janco Bystron teve conhecimento de ritmo local através do percussionista Nielton Marinho

POR JONAS PINHEIRO – ESPECIAL PARA O IRARAENSE

Janco Bystron, baterista e estudioso alemão é doutorando em etnomusicologia e faz intercâmbio na Universidade Federal da Bahia(UFBA). Em sua pesquisa estuda ritmos percussivos brasileiros, mas especificamente os baianos. No campus universitário ele conheceu Nielton Marinho, percussionista iraraense e estudante da universidade.

Nielton há algum tempo já havia tido a ideia de montar um grupo de percussão. No entanto não queria simplesmente tocar ritmos que estuda continuamente na universidade. Junta-se então ao percussionista também iraraense, Rodrigo Lima, para fazer um projeto de percussão do Samba de Lavagem de Irará, que embala a tradicional festa da cidade e é tocado pela Charanga. “Queremos preservar e valorizar algo que é nosso”.

Encontro

É aí que os caminhos destes dois músicos se cruzam. Nielton mostra para Janco o singular ritmo do samba de lavagem, o alemão se interessa pelo ritmo e decide utilizá-lo para compor sua tese de pesquisa.

Junto com seu estudo, Janco faz registros audiovisuais dos grupos que estuda para além de compor a pesquisa, divulgar os grupos que tem participado dela. O registro do grupo iraraense aconteceu numa quinta-feira, dia 31 de outubro.
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Campo

Janco veio acompanhado de Anderson Petti, também percussionista, que tem lhe auxiliado nos estudos. “A tese de Janco, acabou aliando um interesse nosso, como músicos baianos, com a necessidade dele, de fazer a pesquisa” declara Anderson.

O alemão diz que ainda precisa analisar melhor o material colhido, mas inicialmente achou o samba de lavagem iraraense semelhante ao frevo, pelo ritmo rápido. Entretanto assinala que ainda é cedo pra ter um parecer sobre o ritmo.

“Eles tem a certeza do que querem fazer. É bonito”, declara ele após conhecer de perto a charanga. O musico alemão ficou encantado pela diversidade encontrada no Brasil. “Você chega aqui em Irará, você tem uma coisa especial. 200km num outro lugar, já tem outra coisa”.

Singularidade

Para Nielton, o samba de lavagem tocado pela nossa tradicional charanga, é único. “O samba de lavagem daqui de Irará é diferente, tem uma singularidade. Isso só tem aqui”. Foi partindo dessa observação que junto com Rodrigo Lima, o percussionista montou o projeto, em que levou o tradicional ritmo de rua para o estúdio. “A gente tá pegando o tradicional, e trazendo o contemporâneo”.

No entanto o músico iraraense lamenta a falta de atenção dos poderes públicos, que segundo ele não “chegam junto” ao projeto. “Infelizmente os poderes públicos acham que a charanga tem que ir até eles. No entanto eles que tem que ir até a charanga, que é uma cultura viva”.
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Documentário

Sobre a possibilidade de fazer um filme documentário com os registros já colhidos, Janco é cauteloso. Ele diz que esses registros audiovisuais de entrevistas e das apresentações dos grupos não foi algo planejado. Na opinião dele para transformar o material em um filme seria preciso todo um trabalho burocrático. “Vai sair um filme, e quem vai ganhar com isso?”.

Seria preciso se comunicar com os grupos para saber as intenções de cada um. Para ele a prioridade é terminar primeiramente o estudo, e divulgar a cultura desses grupos na internet.

Imagens: Jonas Pinheiro

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