Chapeuzinho Vermelho é menina negra em releitura

 

capa chapeuzinho
Ilustração: Reprodução site Carta Capital

O livro Chapeuzinho Vermelho e o Boto Cor-de-Rosa conta a estória da conhecida personagem de um modo diferente. Na publicação, recentemente lançada pela Mazza Edições, a releitura do clássico infantil tem uma menina negra como protagonista.

Enredo

A estória é narrada por Cristina Agostinho e Ronaldo Simões Coelho e se passa às margens do Rio Negro, na Amazônia.

Ao invés de doces, a cesta da Chapeuzinho Vermelho tropical leva alimentos típicos da região Norte do Brasil. Entre eles, tacacá, tucumã, abiu e camu-camu. O boto é quem assume o posto de vilão da estória no lugar do lobo mal.

O livro foi o destaque da coluna de Luana Tolentino, professora de história, no site da Carta Capital, nesta sexta, 17.

Afirmação

A professora destaca a importância dos livros com personagens negros, conta a emoção de uma garota negra ao receber o livro de presente e relembra sua infância, quando não encontrava personagens negros na literatura infantil.

“Pedia a minha avó que amarrasse um lenço, uma toalha na minha cabeça para viver a fantasia de ter cabelos lisos e longos”, conta Luana. Relembra ainda que antes de dormir costumava pedir a Deus para a transformar em “uma menina branca”.

Exemplo

Para exemplificar como os personagens negros eram tratados em alguns enredos infantis, Luana recorre a um clássico de Monteiro Lobato, Sítio do Pica-Pau Amarelo e apresenta o trecho a seguir.

“Respeitável público, tenho a honra de apresentar vovó, Dona Benta de Oliveira, sobrinha do famoso Cônego Agapito Encerrabodes de Oliveira, que já morreu. Também apresento a princesa Anastácia. Não reparem ser preta. É preta só por fora, e não de nascença. Foi uma fada que um dia a pretejou, condenando-a a ficar assim até que encontre um certo anel na barriga de um certo peixe. Então, o encanto se quebrará e ela virará uma linda princesa loura.” 

Luana termina sua coluna dando um spolier e revelando uma esperança.

A autora conta que o boto sequestra a Chapeuzinho Vermelho e a arrasta para dentro do rio Negro, de onde a menina é resgatada por um pescador. E encerra com um pedido.

“Que através da literatura, possamos resgatar e elevar a autoestima das crianças negras, de modo que elas cresçam confiantes, orgulhosas de sua origem racial, de sua história, do cabelo, dos traços fenotípicos que carregam.”

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Foto: Reprodução Carta Capital 

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